África do Sul 2010: Novos sotaques e cores na Copa do Mundo

A cada quatro anos, a Copa do Mundo de Futebol parece ter o poder de parar o planeta. Em 2006, 1,5 bilhões de pessoas assistiram à partida final em que a Itália se sagrou campeã sobre a França. Em sua terceira edição, no século XXI, a Copa do Mundo acontecerá em um país que nunca recebeu um evento de tal porte: a África do Sul.
A cada quatro anos, a Copa do Mundo de Futebol parece ter o poder de parar o planeta. Em 2006, 1,5 bilhões de pessoas assistiram à partida final em que a Itália se sagrou campeã sobre a França. Em sua terceira edição, no século XXI, a Copa do Mundo acontecerá em um país que nunca recebeu um evento de tal porte: a África do Sul. Sinal de novos tempos mais democráticos e uma nova ordem econômica. Na África, a Copa ganhará novas cores e sotaques.
A escolha da África do Sul ratifica uma tendência mais democrática de eleger o país sede de uma Copa do Mundo. Atualmente, existe um rodízio entre os continentes. África do Sul 2010, Brasil 2014, sendo que, em 2018, o evento voltará a ocorrer na Europa. A Copa do Mundo sempre transitou entre Europa, América do Norte e do Sul. Levar o maior evento esportivo do mundo para a África representa uma grande mudança geopolítica.
Com 50 milhões de habitantes, a África do Sul é uma economia emergente e diversificada, com setores financeiro, jurídico, de comunicação, de energia e transporte bem desenvolvidos. O país tem o 25º maior PIB do mundo. No entanto, a distribuição dessa riqueza é muito desigual. Cerca de 50% da população vive abaixo da linha de pobreza, enquanto 10% detém 45% da riqueza gerada.
Os maiores desafios do país estão nas áreas de saúde e segurança. Com aproximadamente 20% da população infectada pelo vírus da AIDS, a África do Sul tem uma expectativa de vida de 50 anos (no Brasil é de 73 anos). Somente em 2007, 350 mil sul-africanos morreram em consequência da AIDS. O país também é o recordista mundial nos índices de assaltos e assassinatos.
Um caldeirão cultural
Marcada pelo Apartheid, a África do Sul é conhecida por sua diversidade de culturas, idiomas e crenças religiosas. O estado tem onze línguas oficiais. O inglês é a mais falada na vida pública oficial e comercial. Entretanto, é apenas o quinto idioma mais falado em casa. Quase 80% da população sul-africana é negra, embora os habitantes sejam de diferentes grupos étnicos.
O regime do Apartheid, que significa separação em africânder (um dos idiomas locais), foi adotado legalmente em 1948, cujo poder era dos brancos e os povos restantes obrigados a viverem separados. Os não-brancos eram excluídos do governo nacional e não podiam votar, exceto em eleições para instituições segregadas que não tinham qualquer poder. Aos negros eram proibidos diversos empregos, sendo-lhes também vetado manter negócios ou práticas profissionais em quaisquer áreas designadas somente para brancos. Cada metrópole significante e praticamente todas as regiões comerciais estavam dentro dessas áreas.
Esse regime foi abolido apenas em 1990 e, em 1994, as eleições livres foram realizadas, quando Nelson Mandela foi eleito presidente.
Sotaques, cores e sons
Certamente, a Copa do Mundo na África do Sul irá mostrar ao mundo um país que tem muitas dificuldades, mas que possui uma população muito alegre. O país possui uma cultura musical extremamente rica e que tem muita vontade de celebrar um evento tão importante. Os turistas que acompanharão a Copa in loco, poderão usufruir de atrações que variam entre safáris, belas praias da Cidade do Cabo e centros comerciais de Johanesburgo.
A fala do atual presidente do país, Jacob Zuma, resume o espírito com que o país recebe o evento. "Após muitos anos de planejamento e trabalho duro, podemos celebrar esta noite o longo caminho que percorremos juntos nos preparativos para essa primeira Copa do Mundo africana. A África do Sul saiu com vida e nunca voltará a ser a mesma depois desta Copa do Mundo."
Boa sorte aos sul-africanos e uma excelente Copa do Mundo a todos!



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