Matéria especial da Veja destaca a importância de falar e de escrever bem

Na carona do primeiro debate dos candidatos ao planalto, a Veja publicou uma matéria que analisa a performance linguística de cada presidenciável e também uma série de dicas para nós, não-presidenciáveis, falarmos bem. Afinal, como o texto reitera inúmeras vezes: expressar-se com clareza e elegância é essencial para avançar na vida.
Para Jerônimo Teixeira e Daniela Macedo, autores da reportagem, os candidatos deixaram a desejar bastante: falas confusas e pouco conclusivas, tecnicismo excessivo e erros gramaticais graves, como “seje” e “presidenta” estiveram presentes em todo o debate. Partindo dos “escorregões” dos políticos, os jornalistas apresentam quadros com erros comuns do português, indicação de obras e também sugestões estilísticas, como a opção sempre certeira da simplicidade em detrimento do rebuscamento.
Já no início do artigo, são comentadas algumas publicações recentes, com foco no aperfeiçoamento linguístico. O Dicionário Analógico da Língua Portuguesa, de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo, é um dicionário que, em vez de definir os termos, apresenta uma lista de expressões que o circundam. Para o verbete “clareza”, por exemplo, o livro traz as palavras “exatidão”, “fluidez”, “inteligibilidade” e “transparência” como resultados, uma boa dica para refinar o vocabulário.
Para consultar as regras da língua, os jornalistas referenciam duas obras. A Moderna Gramática Portuguesa, de Evanildo Bechara, e também a Nova Gramática do Português Brasileiro, do linguista Ataliba Teixeira de Castilho, que faz a análise sintática em frases cotidianas, extraindo exemplo de jornais, de novelas e de noticiário, estimulando a reflexão gramatical sobre os recursos linguísticos que empregamos no nosso dia a dia.

Busque a simplicidade
Uma das ênfases da reportagem foi a de combater o que os repórteres chamaram de “medo da simplicidade”. Em retórica, na verdade, a simplicidade é a maior das qualidades. Ser simples é ser elegante. O Padre Antônio Vieira, autor do século XVII e um dos maiores oradores em língua portuguesa, afirmou em seu Sermão da Sexagésima que “O estilo há de ser muito fácil e natural”, recomendando aos padres que a simplicidade tornava os sermões mais acessíveis e menos distantes.
Muitos erros acontecem quando os falantes tentam ser mais rebuscados. O gerundismo é um exemplo típico. “Enviarei” ou “vou enviar” são mais diretos do que “vou estar enviando”, que não está errado gramaticalmente, mas é redundante. Isso também vale para a escolha de palavras. Embora sejam sinônimos, “desiderato” e “desejo” são completamente diferentes. A primeira é usada no jargão do direito, enquanto a segunda é da fala cotidiana. Confundir o registro da língua também é um erro.
A lamentar, apenas o fato de que a boa matéria teve como mote a série de erros dos postulantes ao mais importante cargo da democracia brasileira. Tomara que os próximos debates levantem outros assuntos!



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