No país da piada, nova ortografia vira mote
José Simão, dono da coluna mais lida da Folha de São Paulo, define o Brasil como o país da piada pronta. Seus textos, claro, também são de humor. De fato, nosso povo é sarrista, satírico, o que é confirmado pelo sucesso do próprio colunista.
José Simão, dono da coluna mais lida da Folha de São Paulo, define o Brasil como o país da piada pronta. Seus textos, claro, também são de humor. De fato, nosso povo é sarrista, satírico, o que é confirmado pelo sucesso do próprio colunista. Para qualquer fato novo, ganha-se uma piada. Em entrevista sobre a Reforma Ortográfica ao Portal do Uol, Simão falou sobre sua campanha “Quero botar os pingos nos us”, dizendo-se revoltado com o fim do trema, com a mocreia que perdeu o acento e o hífen que agora atrapalha mais que o hímen (leia mais).
Num momento mais sério, o colunista afirmou que, de fato, só começou a memorizar a nova ortografia depois de exercitá-la em suas piadas. Essa ideia vai ao encontro da campanha de lançamento da nova edição do Dicionário Aurélio, em parceria com o jornal carioca Extra, que usará frases engraçadas enviadas pelos leitores do diário, construídas com palavras modificadas na Reforma Ortográfica. Dali, saíram sentenças como “Oposição reclama perda de acento na Assembleia”, “Espécies ficam sem zoo e perdem todos os pelos”, “Micro-ondas pode prejudicar os estudos do seu filho" e “Acento de voo cai e ninguém se machuca”. José Simão cunhou a frase de maior sucesso sobre a reforma “Jamais trema na linguiça”, que se espalhou e decorou charges em centenas de blogs. O ambiente da internet, aliás, é bastante prolixo na produção de piadas com a nova ortografia. No site Uhull, num texto bastante hilário, o autor fala da enorme perda sofrida pela cidade de Birigui, a única com trema no Brasil (leia mais).
Ainda na web, Lúcio Luiz, no site Inutilidade, também apresentou seus protestos contra o fim do trema. Sua campanha era introduzida pela seguinte frase: “Sem ambigüidade nem necessidade de criar qüiproquó, com uma observação apenas lingüística, embora de uso freqüente, quiçá grandiloqüente, reclamo da inconseqüente (porém de cancelamento inexeqüível) morte do trema!” (leia mais).
De fato, José Simão, o Dicionário Aurélio e os internautas têm razão: aprender brincando é mais gostoso, como sempre afirmou o pedagogo Rubem Alves.



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