Indique este site

Habilidades e Competências

Ascensão na carreira está diretamente ligada à atualização profissional

Independentemente da área em que se atua, a atualização constante é o segredo do sucesso para qualquer profissional. Talento apenas não basta.

[VEJA TODAS]

Newsletter

Cadastre-se em nossa Newsletter e receba as novidades e notícias da Scritta.

Veja todas as Newsletter

Enquete

Vocês gostaram do novo layout do site da Scritta?

     Resultados

Mural de Recados

"Gostei do site. Li vários artigos. Parabéns...."

João Neves

"Parabéns pelo bom conteúdo divulgado pelo site. Faço dele uma ferramenta de con..."

Ana Luisa de Castro

"Parabéns pelo site. Os artigos são primorosos. Passarei sempre por aqui para tirar min..."

Tereza Batista Oliveira Sá

Veja todos os recados Deixe o seu recado

Palavras feias: sobre o apego à língua e as maneiras de encarar a Reforma Ortográfica

"No Brasil, escreve-se português com açúcar." (Eça de Queiroz)

Certo dia, estava eu saboreando um cafezinho depois do almoço com um grupo de amigos e acabamos discutindo questões da Reforma Ortográfica. Esse assunto frequentemente tem aparecido como consequência dos nossos encontros, e estou certa de que não é só conosco que isso acontece. Muitos grupos de amigos por todo o Brasil devem estar circundando as mesas de bar com suas questões e razões, suas certezas e verdades acerca dessa matéria tão polêmica.

Não é à toa que isso acontece. Trace um histórico de sua vida e identifique os pontos em que se destaca o assunto “língua portuguesa”: desde o berço até os primeiros balbucios, a mãe parabenizando e gratificando cada acerto. Depois o colégio, o desenho das primeiras letras, a valiosa redação do vestibular e a dissertação na faculdade, que deve ser certeira para comunicarmos em poucas linhas tudo o que apreendemos daquela longa teoria. Esses momentos ilustram muito bem como é constante a busca que temos que empreender para dominar nosso idioma, e como esse domínio é fundamental para alcançarmos o sucesso em nossa vida social.

E é então que, de repente, vem a Reforma Ortográfica e vupt! Lá se foi o nosso domínio. A fera — antes domesticada — nos olha novamente nos olhos com fome selvagem. “Vou te comer” — é o que me diz o hífen toda vez que olho para ele.

Mas eu falava sobre a conversa na mesa do café. Foi lá que pude ouvir a seguinte afirmação, vinda de um grande amigo, pós-graduando e tudo: “Eu só gostaria de poder continuar usando a língua que me ajudou a construir minha identidade”. Dramático, eu diria.

Assim como meu amigo, muitas pessoas têm resistido às alterações propostas pela Reforma Ortográfica. Seus argumentos geralmente são um tanto quanto subjetivos: “A língua que me ajudou a construir minha identidade”; “eu gosto de ver nas palavras um traço da sua etimologia”; “essa palavra sem acento ficou muito feia” (essas também vieram do café).

Não quero entrar na discussão sobre os motivos e as consequências do acordo ortográfico. Quero sim discutir nosso comportamento frente a tudo isso que está acontecendo. Objetivamente falando, o que é uma palavra feia? O que atribui beleza à grafia de uma palavra a não ser o fato de que estamos acostumados a ela? Pensar nessas coisas certamente irá nos ajudar a refinar nosso pensamento sobre o assunto.

Mas como eu não sou santa... Que tal ficou para você mandachuva? A mim, parece-me que o cargo perdeu toda a sua força. E contrassenha? Pensando bem, o “ss” sempre me pareceu meio cafona e vem tirar todo o glamour dessa palavra, antes digna de um belo 007. Isso vale também para minissaia, que já era escrita desse jeito. Mas o pior caso, em minha opinião, é o “antionomatopeísmo” (gostou do termo que acabo de inventar?) de micro-ondas: onde é que foram parar as ondas da pronúncia?

Brincadeiras à parte, a questão é que nossa língua nos faz assim como nós a fazemos. Eu, a língua, o mundo: tudo está junto nesse movimento, nas mudanças, nas evoluções e nas revoluções. A única certeza que temos é que domar esse idioma refeito é imprescindível. Não perca mais tempo: pegue já seu chicotinho e seu novo dicionário. Desapegue-se do que fica para trás, abra-se para as novas possibilidades de um português renovado. Eu asseguro-lhe que é a melhor maneira de sair na frente.

E por falar em dominar para vencer, acabo de lembrar-me de uma boa história: eu estava no pré-primário, e minha mãe ensinou-me que se eu tinha os discos da Xuxa número um, dois, três e quatro, então eu tinha do um ao quatro. Muito feliz por aprender mais um truque para me comunicar eficazmente, fui mostrar o meu novo conhecimento para a garotada. Tudo que eu me lembro é da grande humilhação que sofri. Era impossível para os meus amigos entenderem que não, eu não tinha só dois discos da Xuxa, eu não tinha só o um e o quatro! Eu tinha todos!

Eu não precisava dessa nova estratégia para as conversas com meus amigos. A fim de mostrar a minha superioridade linguística, acabei não me comunicando. Cada comunidade tem seu registro linguístico correspondente, e essa também é uma aprendizagem fundamental. Mas isso é assunto para uma outra mesa de bar...

Publicado em: 27/02/2009

Autor: Thaíse Nardim

Veja os comentários (0)

  • Vote neste artigo:
  • Total de votos: 164

Deixe seu Comentário:

[Voltar]

Vídeo

Destaques

Depoimentos

"“Muito bom, claro, objetivo, didático, gerou várias reflexões.”
..."

Delio Rodrigues - Claro - Rio de Jameiro

"“Proporciona momentos para revermos os conceitos do relacionamento humano, não apenas com os cliente..."

Kátia Freitas - Claro - Rio de Janeiro

"“Esse curso servirá para melhorar cada vez mais minhas qualidades no atendimento, garantindo a satis..."

Rosane de O. Ribeiro - Claro - São Paulo

Veja todos os depoimentos

Twitter

  • Orkut
  • Linkedin
  • Twitter

Rua Carolina Prado Penteado, 1429 - Nova Campinas - Campinas/SP CEP: 13092-470 Tel: (19) 3254-6364

Scritta | Cursos de Comunicação Empresarial - Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Publiweb Marketing Digital, Otimização de Sites e Links Patrocinados